Não sei bem como iniciar esta discussão, pois sei bem como ela tem terminado nestes últimos cento e poucos anos.
De um lado temos uma corrente filosófica que defende a premissa de um mundo criado de uma idéia, e que este mesmo mundo ainda existe de forma ideal em algum lugar, mas sua materialização posterior pelo Homem é que o torna imperfeito.
Do outro lado um grupo de filósofos que afirma que isso é impossível, pois o próprio ‘nada’ existe, e nada se cria sem a necessidade, que vem primeiro e depois, assim a idéia.
Parece simples, mas à medida que o assunto vai exigindo argumentos às coisas ficam complexas, ou melhor, difíceis de explicar simplesmente.
Gera uma das mais cruéis e infrutíferas discussões da modernidade e da pós-modernidade, é da prova de que Deus existe ou não, afinal ele é o pivô popular desta discussão.
O argumento mais simples é o de que sempre se faz necessário chegar a um deus para explicar a Ontologia, ou origem de tudo. Todavia parece que não é comercialmente publicável a constante resposta a este máxima: Não se pode provar que Deus não existe, mas também não se pode provar que exista.
Bom... antes de qualquer coisa é bom deixar claro que Ele existe, e que acredito também que tal discussão não fica presa a sua existência ou não, mas sim a realidade criada pelo Homem a cerca Dele.
Tais correntes filosóficas foram criadas em mundos/tempos distintos. Deus é, e foi sempre a desculpa perfeita para estabelecer padrões morais, éticos, legais e por aí afora. Cabe lembrar que tais conceitos, como a própria História do Homem tem as mais diversas interpretações, construções ou significados.
Quem é Deus afinal? Depende de ‘quando’, ‘onde’ e ‘para quem’ se pergunta. O primeiro registro de deus é relativo à natureza, e são milhares de deuses. Com o judaísmo, este mesmo deus tornasse o mais poderoso de vários e evolui para um único. Em outros espaços geográficos temos outras realidades, vários deuses, até deusas se for necessário maiores detalhes.
Mas Ele é um só, sempre foi igual! Mas isso é, Ele é e será, somos nós que o revelemos ou o decoramos com nossas necessidades de explicação.
Mais exemplos ou questões: Deus erra?! Segundo a Bíblia sim. Criou o Homem e só depois viu que faltava algo. Percebeu que a união dos dois deu problemas à beça e resolveu lavar tudo com um dilúvio. Não funcionando a nova aliança estabelecida fez muitas outras, e para acabar com a conversa, resolveu ser Homem, viu na carne como é complicado e perdoou todo mundo. (isso no deus judaico-cristão)
Em outros locais, este mesmo deus criou tudo, estabeleceu outros deuses menores (criados por ele) que iam cuidar de tudo, estes fizeram um monte de besteiras como brigas, adultérios. E deus se retirou.
Dos muitos deuses que existem, gosto mais da versão que Deus é Deus, e que definições dele são impossíveis, pois compreendê-lo não faz parte de nós, ainda ou nunca.
Gosto de pensar num Deus que não se incomoda como um adolescente, que precisa ser adorado, paparicado ou ainda obedecido com regras. Afinal é Deus não um Homem carente e desequilibrado.
Gosto de acreditar num Deus que me possibilita ser Livre e responsável pelo que faço. A culpa nunca pode ser dele, é minha ou nossa.
Fico imaginando se Deus, esse que acredito, resolvesse permitir isso ou aquilo! Seria uma loucura você não ir trabalhar, porque se for, irá dizer alguma coisa, que daqui a 20 anos irá fazer alguém tomar uma atitude, que levará a outra e em uma cadeia aleatória de acontecimentos, algo horrível irá acontecer! (imaginem a culpa de um professor da menina que matou os pais)
Já imaginaram se pela simples falta de uma ação cotidiana, que nem lembraremos depois de 5 minutos, uma criança vai morrer!
Que Deus seria esse? Manipulador? Ditador? Sádico? Prefiro o meu.
Assim fica fácil!? É essa a pergunta que se forma? Creio que fique mais difícil.
Acredito que tal conceito de Deus implique na compreensão real de mim mesmo, o que implica na compreensão do outro, o que estabelece o conceito de Tolerância.
Tolerância requer sabedoria, coisa que não temos, construímos um pouquinho a cada experiência.
John Locke afirmava que só existe o que posso experimentar e só ‘é’ o que existe. Jean-Jaques Rousseau afirmava que a ciência destruía a virtude humana, ou seja a capacidade de raciocinar e estabelecer razões acabava corrompendo a natureza do Homem.
Uns precisam de um deus para justificar suas ações, outros para que lhes diga o que fazer ou não fazer, outros ainda para arranjar desculpas pela sua incapacidade natural de explicar as coisas.
O meu Deus existe e me gerou, me faz existir e me cria. Não manda, não pede, não castiga, não determina. Ele sendo, me faz existir, e isso para mim basta. No mais, as escolhas são minhas.