Novamente, mais uma vez e de novo... sempre me perguntam depois de alguma aula onde se trabalham conceitos sobre religiões ou religiosidades:
- Mas você acredita em Deus?
- Você é ateu?
A maior variação nas perguntas é a troca de "você" por "tu" ou por expressões regionalistas do tipo "Oxê", "vixi" entre outras.
Mesmo que seja recorrente esse episódio, as respostas acontecem infelizmente aos pedaços, devido à falta de tempo hábil para responder, não as simples perguntas que fazem, mas o que nelas está fórmulado e o conteúdo escondido por elas.
Começo a responder apresentando um problema que tenho para explicar ou responder isso, um bem básico: QUAL DEUS?
Após a surpresa inicial de meu interlocutor, no caso de vários deles percebidos pelos murmúrios e falas dentro da sala, percebo que é propício dar seguimento a explicação. E ela vem com uma experiência que faço já há alguns anos em minhas aulas.
A experiência resume-se em solicitar que individualmente cada aluno, em uma folha sem qualquer identificação, descreva ou conceitue DEUS, de acordo com sua maneira e seus gosto. De posse das respostas, estamos aptos a desvelar e conhecer DEUS. Mas...
Eis que Deus surge em várias opções e modelos, forçando aqui e ali, junto com os discentes chegamos ao resultado seguinte (trata-se de uma média deste experimento):
Dos conceitos citados:
- Conceitos iguais ou parecidos: 60%
- Conceitos singulares ou diferentes: 40%
Dos conceitos por aluno:
- Folhas com conceitos iguais/parecidos que descrevam um único Deus: 0%
- Folhas com conceitos parecidos e diferentes: 85%
- Folhas com conceitos singulares/diferentes: 15%
Após este Feed Back com as respostas que tenho colhido, e presumindo que as encontraria aqui neste interlocutores, com uma variação é claro, reconduzo a pergunta:
- De qual Deus estão falando e por fim perguntando se acredito ou não?
Neste momento, aparentemente por não haver identificação nas folhas, todos se colocam na definição cristã...
Novamente respondo, digo, sigo tentando construir a minha resposta com um novo problema...
- Qual Cristo, pois cada Igreja ou grupo cristão diz algo diferente e o interpreta também de modo distinto?
Neste momento a discussão fica estranha, no sentido de que alguns não conseguem continuá-la de modo racional e iniciam minha conversão, outros percebem que se trata de um exercício que não busca resultado ou resposta é sim o desenvolver da crítica sobre a banalização de conceitos, mas há os que vislumbram uma sedutora crise, de onde sairão talvez mais fortes, talvez diferentes... estes realmente descobrem as respostas, as que interessam, a suas próprias.
Mas ainda falta uma resposta, ou melhor, outras perguntas:
- Preciso crer em um Deus? Seja qual for? De quem for?
Mas respostas ou perguntas ficam para um novo post...
P. S.: Seu Deus existe?
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