quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Convenções e seus usos.

Encontrei esta crônica na Coluna Digital e considerei muito boa para apenas ficar por lá!

"Vi na tv uma propaganda das Havaianas onde alguém entra num camarin e uma artista está de calcinha e soutien. Após um grito ela imediatamente se cobre com um robe. Reação natural porque, se por acaso você entrar enganado em um provador feminino de roupas e alguma mulher estiver de calcinha e soutien, provávelmente, haverá uma reação idêntica e ela tentará se cobrir de alguma maneira. Com certeza tal indumentária será muito maior que a mesma em formato igual, usada com orgulho em público e que convencionamos chamar de biquini.
O que muda? Nada! O tecido do biquini é o mesmo na maioria das vezes, no caso da calcinha o tecido está presente cobrindo uma extensão muito maior do que o biquini. Soutien, idem.
Porque um só pode ser usado e visto por alguém íntimo e o outro, mais exíguo e revelador pode circular em público no meio de completos estranhos?
A resposta está no que as pessoas resolveram convencionar do que é certo e do que é errado. As elucubrações acima me trazem à lembrança um fato que supostamente aconteceu em alguma ilha da Polinésia e que vou contar com minhas palavras:
Alguns padres chegaram chegaram a uma ilha, um pedaço do paraíso, onde “selvagens” viviam adorando deuses que não eram permitidos pelas convenções dos religiosos. Logo os visitantes trataram de expurgar aquilo dos nativos e impôr-lhes a verdade deles, que segundo eles era a certa e a melhor. Algo tipo o Renan Calheiros que ele mesmo resolve se vai aplicar uma punição nele mesmo ou não.
Bueno, voltando aos padres: Fizeram uma cerimônia onde foram batizados todos os nativos. Consistia em aspergir em suas cabeças água devidamente abençoada por um deles. Com essa simples cerimônia eles passariam de pagãos a cristãos e estariam aptos a iniciar uma vida de sofrimento e lamentações e, depoooois, beeem depois, daí sim iriam para o paraíso. Paraíso agora? Nem pensar!
Todos fizeram uma fila e após um dos padres jogar água na cabeça do nativo, declarava: Agora você não é mais pagão e sim cristão.
Com a eminência da chegada da sexta-feira Santa os padres logo avisaram que naquele dia não poderiam comer carne de porco. Somente peixe era permitido.
Ao meio-dia de sexta feira, os padres avistaram a fumaça de uma grande fogueira e ao se aproximarem avistaram enormes espetos de carne de porco assando.
- Sacrilégio! Nós avisamos que não poderiam comer carne nesse dia. Sómente peixe!
- Calma padre. Antes de iniciar o churrasco nós pegamos uma bacia com a água que sobrou do nosso batismo, jogamos nos porcos e dissemos:
- Agora vocês não são mais porcos. Agora são peixe!"


Texto trabalhado* em sala de aula, na UFMT (CNM1) na aula de Antropologia (09/10/2007)

Detalhe, esta coluna é produzido por um tio** meu! (Nepotismo??)

* Com alterações
** Ivens Branco

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