Como um simples verso nos aproxima de um passado que não existiu?
Nunca me fiz tal pergunta, mas encontrei a resposta quando ouvi esta poesia na música "Atrás da Tropa" (Mano Lima).
Conheci um índio taura, daqueles que representam tudo que sonhamos ser ou que gostaríamos de poder ter uma história assim.
Era funcionário federal, telegrafista, casado e pai de 4 filhos, a quem deu educação e saúde.
Nunca vi alguém que enxergasse melhor, nunca o vi ficar brabo, nunca presenciei qualquer traço comum de humanidade, seja inveja, egoísmo, avareza, enfim...
Lembro que ficava muito feliz ao ver seus netos, quase era desconcertante para seus filhos, talvez agora todo o peso do mundo não lhe caía mais nas costas...
Era possível ver que tinha orgulho do que conseguira, sua família, um rancho, o que mais um filho de índia poderia ter. De seus 11 irmãos, talvez fosse o de melhor sorte, não saberia dizer, pois perdera o contato com eles ainda na infância.
Andava bem à cavalo, cuidava da criação com paciência e respeito, mas com a rigidez que aprendeu na vida.
Meu avô, em minha memória realizou coisas que inspiraram meu pai e que me fazem querer continuar este legado.
Nunca vi meu avô apartando, ou conduzindo o gado, estava ao nosso lado explicando tudo que acontecia e aconteceria. Mas, eu era uma criança, imaginava como seria meu avô realizando aquilo que explicava, conseguia ver o que nunca vi.
"Abre o cavalo da tropa, deixa ela redemunhá!"
Um comentário:
Que lindo post. Digno de Galeano.
Beijos
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