segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quando o Sigilo é omissão

Caros Senhores, ou senhoras....

Me deparei com uma situação estranhamente paradoxal, sabem como é, quando existe uma contradição na realidade, quando parece que tudo vai bem, mas não está nada bom...

Mas vamos a questão em si, quando o sigilo (omissão) pode ser ruim, ou o limite social do sigilo!

Cena UM:

Você vai a um motel com sua esposa, ou amante, ou ainda uma profissional, coisas comuns em nossa sociedade, afinal é um ambiente que lhe assegura tranquilidade por um determinado tempo, ou seja, sem telefone, sem visitas, sem animais latindo, sem vizinhos escutando, seja o que procura... você tem lá!

Cena DOIS:

Ao ingressar, existe uma 'tampa' que impede a visão do recepcionista, que por este motivo não vê quem ou quantos entram no local.
A mesma tampa permite pensar que este também não vê a placa do veículo, ou ainda ter certeza de que veículo você está dirigindo (ano, detalhes, etc).
No interior das dependências do estabelecimento, você pode solicitar bebidas, comidas, a conta e outras coisas e... não tem contato com outra face durante todo o tempo que está lá! Tudo ocorre por uma portinha (janelinha).


Cena TRÊS:

Para sair, pede a conta, efetua o pagamento em dinheiro e espera a liberação (de que não haverá ninguém no caminho) e sai do estabelecimento, coberto pela 'tampa'...

O que há de errado nisso!?

O que me intriga não é o que está errado, mas o que pode...

1º Alguém pressupõe que você pode estar agindo de forma imoral e você concorda aceitando;
2º Alguém lhe permite fazer o que bem entender e não se responsabiliza por isso;
3º Você não pode provar o que fez ou o que deixou de fazer;
4º Você concorda que, por cumplicidade, que naquele local tudo é permitido!

Não entendeu ainda?

Se alguém  levar um(a) menor de idade (que poderia ser um conhecido seu, uma filha, um filho, talvez sobrinho, irmão...)?
Se houver violência sexual (estupro devido a ingestão forçada de drogas)?
Se houver um crime (homicídio, tráfico, roubo, violência)?
Se este momento for parte de algo maior... como torná-lo evidência? (algo sinistro como você morre lá e depois é enterrado em outro lugar..)

O sigilo deve ser garantido, mas através de outras maneiras!

Pelo que me lembro e conheço da legislação pertinente sei que, em qualquer estabelecimento como motel,  hotel ou albergue) deve pedir a identificação dos clientes, assinar uma ficha, apresentar documentos...

E tais documentos e registros só podem ser requisitados via ordem judicial (não são públicos).
As informações sobre clientes, episódios ocorridos são informações sigilosas que contratualmente são estabelecidas no registro do ingresso (estabelecem a política do sigilo).

Assim a mesma mentalidade de um 'pseudo sigilo', que aparentemente me protege, ao mesmo tempo põe em risco a sociedade e a minha imagem e cria a possibilidade de que eu seja um infrator... impune!

Pense nisso!

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