quarta-feira, 21 de julho de 2010

Nem só de pão...

Bom, o post não trata de pão ou de religiosidade, mas de linguagem!

Sou avesso a falar dos outros, me resguardo o direito de criticar, elogiar e odiar aos íntimo de meus pensamentos, mas tem coisas que merecem, acredito, serem compartilhadas...

Falar, mesmo sendo uma ação extremamente complexa, é algo simples para os humanos que ouvem e tem um desenvolvimento adequado e suficiente.

Comunicar-se... bom aí é outra história...

Temos os deficientes auditivos com uma incrível capacidade de comunicação através da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e temos prodígios como poetas que brincam com os códigos e fazem maravilhas com as palavras.

Mas o foco deste post está nas crianças... algumas aprendem a falar, outras aprendem a se comunicar, brincando com palavras experimentando novas práticas...

Aqui, bem pertinho ouço:

Que doido! Muito craque! Show de bola! Maneiro!

São expressões comuns que foram captadas no ar, reordenadas e experimentadas em diversas ocasiões, criando não são palavras, mas conceitos, interpretações...

Lembro com isso das expressões familiares, vocabulários reconstruídos, readaptados, que tornaram rica a experiência da comunicação, a compreensão do contexto, da cultura:

Willian, o cara de Romeu e Julieta, escreveu em uma de suas peças: "Não entendo uma palavra do que me dizes, mas sinto a fúria nelas" (acho que em Otelo).

Me divirto criando palavras com meu filho, recriando as palavras e conhecendo novas, na verdade nos apropriamos da língua, nos tornamos livres e construtores de realidades, sim realidades que serão lidas ou ouvidas como verdades eternas... e nunca questionadas pelos donos de só palavras!

Nem só de pão...

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