sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Ser Político, o Torcedor e o Brasileiro

Duas são as interpretações do título, uma se refere a ação que funda o indivíduo (criatura política) e outra, que determina o momento de uma ação balizada pela lógica, ou ética política.


Mesmo indissociável, em minha percepção, estas duas facetas se demonstram distintas no imaginário coletivo de nossos compatriotas, que de modo ingênuo, percebem o mundo como um espaço onde realizam ações, mas que não se percebem como sendo estas ações.


Como assim?


Quando votamos (gosto da expressão sufragamos), assumimos uma ação política direta e formal,também quando negociamos dentro de um sindicato, assumimos novamente esta característica ordinária da política, mas quando apenas somos em casa, ou no trabalho parece que não nos concebemos como seres políticos (coisa que somos), e recriamos em nossas mentes a idéia do natural (social sem política), determinando a ação política como artificial à nós.


Neste ponto é que tudo se torna extremamente perigoso ao que ignora sua condição permanente de integrante da sociedade (naturalmente político), pois possibilita e efetiva a passividade social que o conduzirá e o manipulará a aceitar, agir e reproduzir uma sociedade onde não se percebe como responsável, onde não tem identidade.


Com isso surge a ausência de comprometimento cotidiano, que caracteriza a identidade nacional, o orgulho... coisa que percebemos exageradamente no mundo do torcedor brasileiro, onde discute a ação internacional de exploração de jogadores de base, salários gigantescos, a ação dos cartolas, a participação dos dirigentes do seu time, etc.



Enfim a reconstrução da identidade alheia a realidade possibilita a política de 'Pão e Circo", onde não percebemos que o palhaço, o dono do circo, a platéia e o pão são a política e o seus políticos.

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